Paulo Casé por Eduardo Horta

Paulo Casé por Eduardo Horta

Palavras do professor da FAU-UFRJ Eduardo Horta, amigo e discípulo do arquiteto e professor Paulo Casé:

“Estudei na Universidade Santa Úrsula mas aprendi arquitetura nos 7 anos em que trabalhei no escritório de Paulo Casé. Na verdade, aprendi muito mais que arquitetura, aprendi sobre a vida, sobre postura profissional, aprendi que observar as pessoas no espaço é a maior inspiração que se pode ter. Aprendi como se deve entrar em um edifício, o que deve ficar oculto e o que deve ser valorizado.

Paulo Casé dizia que arquitetura deve emocionar não impressionar. Pensamento tanto sutil quanto sábio mas extremamente difícil de ser implementado dadas as nossas vaidades. Ele sabia disso. Casé sabia de tudo, valorizava muito a relação mestre-discípulo e tinha sempre uma história para contar. Histórias educativas disfarçadas de piadas.

Quando sentava para projetar se colocava como um recém formado, deixava aflorar as dúvidas, as angústias e deixava claro que sabia a importancia de interferir na vida das pessoas com arquitetura. Seu entusiasmo se espalhava pelo escritório. Fazer arquitetura era uma atividade envolta em muito charme e responsabilidade.

Compartilhávamos muita camaradagem, trabalho duro, baforadas de charuto, risadas, viradas, tensão, broncas e um incrível amor pelas coisas da arquitetura. Não era raro, depois do expediente, os arquitetos se reunirem na sala dele para folhear a última revista ou um livro que ele tinha achado em uma de suas viagens ou mesmo para ver fotos e debater. Discussões que terminavam tarde da noite. Tenho enorme saudade daquele tempo.

RIP Paulo Casé, grande mestre.”

Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo