179. Defesa/aprovação: 03/00

Autor: Chagas, Shirlene

Orientador: Cavalcanti, Roberto Rego

Condicionantes das cores da arquitetura carioca no século xix e início do século xx – O expressar-se no espaço coletivo.

Resumo: A cor deve ser entendida como uma forma de decodificação de um grupo social, um processo de simbolização, portanto, a representação da idéia. Dentro deste contexto fundamenta-se a hipótese de que a policromia das fachadas das edificações cariocas, no final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX, traduz um estado de espírito da época sendo, esses elementos cromáticos, a materialização de uma nova ideologia influenciada pelas teorias evolucionistas na Europa. Teorias que abriram caminho para a investigação acerca do que éramos como espaço e como fruto da ação humana e para o crescente desenvolvimento tecnológico com novas possibilidades de emancipação.

Os acontecimentos que lançaram a Capital Federal em grande agitação no século XIX, geraram conflitos que levaram o país a um novo estado, não apenas de renovação, mas de “liberdade” de criar e de viver, que mesmo contido na fantasia criada pelo desejo impetuoso, fez despertar um sentimento, absorvente de ideologias, criador de um sentimento de “brasilidade”, e esse instinto de nacionalidade serviu de conteúdo a um outro instinto, o de civilização diferente, a “civilização brasileira” que se contrapõe à ideologia do colonialismo ainda presente na época. Ideologia que, motivada pela camada culta, tornava visível a subalternidade e submissão cultural. Busca-se um elo entre a euforia que emanava no final século XIX, com as descobertas de novos valores, e a mistura desenfreada de estilos e cores na arquitetura. Esse intercâmbio cultural que se iniciara desde a colonização, e que aumentara com a entrada cada vez maior de produtos importados e a crescente imigração, veio se infiltrando e alterando os costumes do pais. Dentro desse processo, a cor atua como elemento aglutinador e organizador das relações sociais, sendo o representante dinâmico de manifestação popular.